quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Porque estudar da História?




Texto 1: Os professores de História ainda são necessários?



“Por que estudar história? Para que estudar o passado se o importante é o presente? Ouvidas com freqüência pelos professores, essas perguntas inquietam. Quando feitas pelos alunos, expressam de algum modo a falta de sentido no que lhes é ensinado. Os professores se esforçam para dar respostas convincentes, advertindo-os para a importância de se conhecer a dinâmica e as transformações da sociedade, mas a sensação, muitas vezes, é de que isso não é compreendido.

Há ocasiões, é verdade, em que os alunos se apaixonam pelo estudo e se envolvem na aventura da história humana. Alguns até se tornaram historiadores, influenciados por um certo professor que os ajudou a ver sentido nos acontecimentos ou que talvez tenha sabido mostrar a relação entre o passado e o presente. (...) Porém, o mais comum hoje e no passado, é as aulas se arrastarem, em meio ao tédio ou indisciplina.

Num mundo onde os meios de comunicação acentuam a importância do tempo presente, em que o ‘aqui’ e o ‘agora’ parecem ocupar todas as atenções e o antigo é qualificado como velho e descartável, o estudo da história torna-se difícil, desafiador e, para muitos, desnecessário. Felizmente ainda há os que acreditam que a história é indispensável para compreender a sociedade, superando visões imediatistas ou fatalistas, que naturalizam o social, omitindo seus significados histórico e cultural.

O desafio, portanto, continua na ordem do dia. Como sensibilizar os alunos? Muitos professores acreditam que os recursos e técnicas modernas tornarão as aulas mais dinâmicas. Alguns chegam a achar, correndo sérios riscos de supervalorização ou de mistificação da tecnologia, que os vídeos e os computadores, ao ampliar o acesso a informações, fornecerão aos alunos as respostas que procuram. Mas o que procuram? E para que servem tecnologias sofisticadas se não lhes dermos sentido humano?

Outras providências têm sido tomadas para enfrentar o desafio. Assim, os programas curriculares são atualizados para abordar novos conteúdos, supostamente do interesse dos alunos. De outra parte, diagnósticos responsabilizam os professores pela situação de crise e dificuldades, considerando-os despreparados ou desmotivados. Seria preciso mudar a formação profissional. Mudanças realizadas, o problema se mantém. É certo que essas dificuldades estão relacionadas a crises maiores, sociais, culturais, que se manifestam no cotidiano e nos currículos em geral, revelando desencontros entre intenções e expectativas. No caso da história, a questão se exacerba pelo fato de que a disciplina é vital para o desenvolvimento da leitura do mundo, para a formação de valores e da cidadania.

(...) Professores de história não são apenas necessários, são fundamentais.”

Ana Maria Monteiro



Texto 2: Não basta ensinar História



“Para uma boa formação, os alunos precisam entender bem o que lêem e saber pensar e escrever.

Ensinamos História por dois motivos principais: iniciar os jovens no conhecimento da história da humanidade (ou de parte dela) e transmitir-lhes informações indispensáveis à construção da tão desejada cidadania, ou seja, a formação de uma sociedade de indivíduos conscientes, responsáveis, autônomos. (...)

Devíamos ensinar História como se formássemos, ao mesmo tempo, bons leitores, bons escrevedores, bons pensadores. (...)

(...) Num país onde a grande maioria da população não sabe ler, ou mal entende o que lê (logo não sabe também escrever), o ensino da História, e de outras disciplinas, deve, em conseqüência, vir acompanhado de investimentos permanentes em leitura, redação e reflexão – competências que as aulas expositivas e o tradicional sistema de perguntas e respostas não ajudam a desenvolver. (...)”

Marcus Venicio Ribeiro

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