1- A CIVILIZAÇÃO DO NILO
Na antiguidade clássica o historiador grego Heródoto havia notado que: “a maior parte [do Egito] é uma dádiva do Nilo, como dizem os sacerdotes, e foi essa a minha impressão.”
Suas origens remontam a 3500 anos a.C., e o seu processo civilizacional dependeu da estabilidade proporcionada pelo Vale do Nilo e pelo seu isolamento geográfico, deixando livre de ameaças estrangeiras.
Num território cercado por desertos e cadeia de montanhas, o rio Nilo com as cheias periódicas favorecia a adubagem das terras às suas margens, fornecendo um campo fértil para a prática da agricultura irrigada.
O trabalho dos felás, camponeses egípcios coordenados pela nobreza, foi fundamental para a organização das obras hidráulicas e garantia do desenvolvimento da civilização.
Geograficamente, o território dividia-se entre o delta e o vale. O vale acompanhava o rio por mais de mil quilômetros com uma estreita faixa de terra para o cultivo com apenas dez quilômetros de extensão. O delta com duzentos quilômetros de lado era uma região rica e densamente povoada.
Estas áreas eram denominadas politicamente de baixo e alto Egito. Sua unificação ocorreu pela ação do nomarca Menés, responsável pela reunião dos dois reinos sob sua autoridade, tornando-se desta maneira, o primeiro faraó.
2- Períodos da história política egípcia: antigo reino
Antigo Reino: unificação ocorrida em 3.100 a. C.
Entre 3.100 até 2.200 a. C., o Egito foi governado por seis dinastias teocráticas e hereditárias. O faraó, do egípcio per-o, que significa “casa grande”, mantinha a linhagem casando-se com uma parente. Ele era o deus-vivo, sumo-sacerdote, chefe dos exércitos, juiz maior e governante.
O estado egípcio no Antigo Reino era pacifista e voltado para o desenvolvimento interno. Não havia um exército nacional, mas milícias disponíveis para a necessidade de combate.
Fatores responsáveis pela crise do Antigo Reino: construção de projetos monumentais, exploração dos trabalhadores egípcios, domínio local dos nobres e enfraquecimento do poder central.
3- O Médio reino
Período de maior responsabilidade social e restauração do poder monárquico com a XII dinastia: época áurea da civilização egípcia.
Aliança do estado com funcionários, mercadores, artífices e camponeses: época de maior prosperidade econômica.
Avanço da justiça e desenvolvimento de importantes obras públicas, como projetos de drenagem e irrigação.
Democratização da religião, baseada numa conduta moral acertada.
Contra-revolução dos nobres e invasões estrangeiras: 1786 a 1575 a. C.
Invasão dos hicsos: povos da Ásia Ocidental: o uso de cavalos e carros de guerra associado com as cisões entre os egípcios foram fatores responsáveis pela invasão.
Os hicsos influenciaram a história egípcia: “(...) por submetê-los à vergonha de uma tirania estrangeira, possibilitaram-lhes esquecer suas divergências e unirem-se numa causa comum”. BURNS, 2005, p. 23.
Amósis, fundador da XVIII dinastia coordenou a luta pela expulsão dos hicsos, desta forma fortalecendo o sentimento nacionalista e aniquilando o poder dos nobres.
4- Império
Período entre 1575 a 1087, governado por três dinastias sucessivas: XVIII, XIX e XX.
Fase de expansão territorial e imperialismo: incursões na Palestina e Síria, dominando uma área que ia do rio Eufrates até as mais distantes cataratas do Nilo.
Grandes extensões dos territórios associadas às constantes revoltas levaram ao declínio do expansionismo.
O grande afluxo de riquezas das áreas dominadas levou ao enfraquecimento da produção nacional.
O governo do Império era baseado na autoridade absoluta do faraó, ancorado num exército profissional e na aliança com a nobreza cortesã ou burocrática.
Ramsés III (1182-1151) foi o maior faraó da XIX dinastia.
5- O declínio
Século XII: novas invasões dos líbios e núbios e decadência social.
Crescimento do poder dos sacerdotes: enfraquecimento do poder criativo laico e favorecimento da religiosidade com o aumento na crença de ritos mágicos.
O Egito foi conquistado sucessivamente pelos: líbios, etíopes ou núbios (séculos X ao VIII), assírios (670 a. C.) e persas (525 a. C.).
Curto período de retomada egípcia: o renascimento cultural (622 a. C. -525 a. C.).
6- O faraó
Faraó: o rei surge com seu poder legitimado pelos deuses. Era o chefe militar e senhor dos exércitos além de sumo sacerdote principal.
“Mais que senhor dos exércitos ou supremo juiz, o faraó é o símbolo vivo da divindade”. PINSKY, 2006, p. 95.
O rei tinha uma vida dupla: em público era considerado um deus vivo para quem se devia uma série de cultos, em sua vida privada, mantinha o contato com a família, o lazer e diversões.
7- A religião egípcia
A religião egípcia era politeísta e antropozoomórfica, tinha um papel predominante na vida social, influenciando as artes, as práticas culturais e os comportamentos.
Religião e política se entrelaçavam, pois o governo era uma monarquia teocrática alicerçada no poder dos sacerdotes.
No início, cada localidade mantinha o culto a uma divindade tutelar ou uma personificação das forças da natureza. As divindades foram fundidas com a unificação territorial. A principal deidade era o deus Rá. Depois intitulado Amon-Rá. Osíris personificou as divindades da natureza, era também conhecido como o deus Nilo.
8- O culto de Osíris
O culto iniciou como uma religião da natureza. Osíris personificava a vegetação e as águas do Nilo. Sua origem remonta a diferentes lendas, ele aparece como um guia que ensinou aos homens o cultivo da terra e outras práticas culturais, mas foi assassinado pelo seu irmão Set, sendo trazido à vida por sua irmã e esposa real Ísis. Osíris ressuscitado transformou-se no juiz dos mortos e responsável pelo julgamento para a outra vida. Segundo BURNS: “A morte e ressurreição de Osíris simbolizavam a retirada das águas do Nilo no outono e a volta da inundação na primavera”. BURNS, 2005, p.27.
9- A crença na vida após a morte
Crença no retorno do KA (alma) para abrigar o corpo após o julgamento de Osíris.
O processo de mumificação garantia a preservação do corpo (Ba) para o retorno e reconhecimento do espírito (Ka).
Conduta moral e religiosa acertada para herdar a vida eterna num reino celestial de gozos e prazeres diversos.
Com o estabelecimento do Império, a religião perdeu seu caráter ético e tanto a magia quanto a superstição ganhava espaço nas práticas religiosas.
Degradação da religião provocada pelos sacerdotes: venda de feitiços e o comércio de fórmulas retiradas do Livro dos Mortos: inscrições mortuárias.
10- O monoteísmo de Ikhnathon
A degradação religiosa fez o faraó Amenotep iniciar uma reforma religiosa, enfraquecendo o poder dos sacerdotes, abolindo o culto às diversas divindades e instalando a adoração a Áton, antiga denominação para o sol físico. Representado como deus uno, justo e benévolo, não assumia forma alguma, apenas dos raios solares.
Construiu uma nova capital dedicada ao novo culto: El-Amarna, criando uma religião de monoteísmo restrito. Restaurou o caráter ético da religião egípcia, tornando-se o único adorador do deus, enquanto todos deviam adorar o próprio faraó.
Sem o apoio da massa na manutenção do novo sistema de crenças, os antigos sacerdotes aliaram-se com os sacerdotes de Áton e realizaram o retorno para o antigo culto aos deuses. O novo faraó, Tutankhamen demonstrou devoção a antiga religião politeísta, sendo o seu funeral uma prova de suas relações com o antigo sistema de crenças.
Na antiguidade clássica o historiador grego Heródoto havia notado que: “a maior parte [do Egito] é uma dádiva do Nilo, como dizem os sacerdotes, e foi essa a minha impressão.”
Suas origens remontam a 3500 anos a.C., e o seu processo civilizacional dependeu da estabilidade proporcionada pelo Vale do Nilo e pelo seu isolamento geográfico, deixando livre de ameaças estrangeiras.
Num território cercado por desertos e cadeia de montanhas, o rio Nilo com as cheias periódicas favorecia a adubagem das terras às suas margens, fornecendo um campo fértil para a prática da agricultura irrigada.
O trabalho dos felás, camponeses egípcios coordenados pela nobreza, foi fundamental para a organização das obras hidráulicas e garantia do desenvolvimento da civilização.
Geograficamente, o território dividia-se entre o delta e o vale. O vale acompanhava o rio por mais de mil quilômetros com uma estreita faixa de terra para o cultivo com apenas dez quilômetros de extensão. O delta com duzentos quilômetros de lado era uma região rica e densamente povoada.
Estas áreas eram denominadas politicamente de baixo e alto Egito. Sua unificação ocorreu pela ação do nomarca Menés, responsável pela reunião dos dois reinos sob sua autoridade, tornando-se desta maneira, o primeiro faraó.
2- Períodos da história política egípcia: antigo reino
Antigo Reino: unificação ocorrida em 3.100 a. C.
Entre 3.100 até 2.200 a. C., o Egito foi governado por seis dinastias teocráticas e hereditárias. O faraó, do egípcio per-o, que significa “casa grande”, mantinha a linhagem casando-se com uma parente. Ele era o deus-vivo, sumo-sacerdote, chefe dos exércitos, juiz maior e governante.
O estado egípcio no Antigo Reino era pacifista e voltado para o desenvolvimento interno. Não havia um exército nacional, mas milícias disponíveis para a necessidade de combate.
Fatores responsáveis pela crise do Antigo Reino: construção de projetos monumentais, exploração dos trabalhadores egípcios, domínio local dos nobres e enfraquecimento do poder central.
3- O Médio reino
Período de maior responsabilidade social e restauração do poder monárquico com a XII dinastia: época áurea da civilização egípcia.
Aliança do estado com funcionários, mercadores, artífices e camponeses: época de maior prosperidade econômica.
Avanço da justiça e desenvolvimento de importantes obras públicas, como projetos de drenagem e irrigação.
Democratização da religião, baseada numa conduta moral acertada.
Contra-revolução dos nobres e invasões estrangeiras: 1786 a 1575 a. C.
Invasão dos hicsos: povos da Ásia Ocidental: o uso de cavalos e carros de guerra associado com as cisões entre os egípcios foram fatores responsáveis pela invasão.
Os hicsos influenciaram a história egípcia: “(...) por submetê-los à vergonha de uma tirania estrangeira, possibilitaram-lhes esquecer suas divergências e unirem-se numa causa comum”. BURNS, 2005, p. 23.
Amósis, fundador da XVIII dinastia coordenou a luta pela expulsão dos hicsos, desta forma fortalecendo o sentimento nacionalista e aniquilando o poder dos nobres.
4- Império
Período entre 1575 a 1087, governado por três dinastias sucessivas: XVIII, XIX e XX.
Fase de expansão territorial e imperialismo: incursões na Palestina e Síria, dominando uma área que ia do rio Eufrates até as mais distantes cataratas do Nilo.
Grandes extensões dos territórios associadas às constantes revoltas levaram ao declínio do expansionismo.
O grande afluxo de riquezas das áreas dominadas levou ao enfraquecimento da produção nacional.
O governo do Império era baseado na autoridade absoluta do faraó, ancorado num exército profissional e na aliança com a nobreza cortesã ou burocrática.
Ramsés III (1182-1151) foi o maior faraó da XIX dinastia.
5- O declínio
Século XII: novas invasões dos líbios e núbios e decadência social.
Crescimento do poder dos sacerdotes: enfraquecimento do poder criativo laico e favorecimento da religiosidade com o aumento na crença de ritos mágicos.
O Egito foi conquistado sucessivamente pelos: líbios, etíopes ou núbios (séculos X ao VIII), assírios (670 a. C.) e persas (525 a. C.).
Curto período de retomada egípcia: o renascimento cultural (622 a. C. -525 a. C.).
6- O faraó
Faraó: o rei surge com seu poder legitimado pelos deuses. Era o chefe militar e senhor dos exércitos além de sumo sacerdote principal.
“Mais que senhor dos exércitos ou supremo juiz, o faraó é o símbolo vivo da divindade”. PINSKY, 2006, p. 95.
O rei tinha uma vida dupla: em público era considerado um deus vivo para quem se devia uma série de cultos, em sua vida privada, mantinha o contato com a família, o lazer e diversões.
7- A religião egípcia
A religião egípcia era politeísta e antropozoomórfica, tinha um papel predominante na vida social, influenciando as artes, as práticas culturais e os comportamentos.
Religião e política se entrelaçavam, pois o governo era uma monarquia teocrática alicerçada no poder dos sacerdotes.
No início, cada localidade mantinha o culto a uma divindade tutelar ou uma personificação das forças da natureza. As divindades foram fundidas com a unificação territorial. A principal deidade era o deus Rá. Depois intitulado Amon-Rá. Osíris personificou as divindades da natureza, era também conhecido como o deus Nilo.
8- O culto de Osíris
O culto iniciou como uma religião da natureza. Osíris personificava a vegetação e as águas do Nilo. Sua origem remonta a diferentes lendas, ele aparece como um guia que ensinou aos homens o cultivo da terra e outras práticas culturais, mas foi assassinado pelo seu irmão Set, sendo trazido à vida por sua irmã e esposa real Ísis. Osíris ressuscitado transformou-se no juiz dos mortos e responsável pelo julgamento para a outra vida. Segundo BURNS: “A morte e ressurreição de Osíris simbolizavam a retirada das águas do Nilo no outono e a volta da inundação na primavera”. BURNS, 2005, p.27.
9- A crença na vida após a morte
Crença no retorno do KA (alma) para abrigar o corpo após o julgamento de Osíris.
O processo de mumificação garantia a preservação do corpo (Ba) para o retorno e reconhecimento do espírito (Ka).
Conduta moral e religiosa acertada para herdar a vida eterna num reino celestial de gozos e prazeres diversos.
Com o estabelecimento do Império, a religião perdeu seu caráter ético e tanto a magia quanto a superstição ganhava espaço nas práticas religiosas.
Degradação da religião provocada pelos sacerdotes: venda de feitiços e o comércio de fórmulas retiradas do Livro dos Mortos: inscrições mortuárias.
10- O monoteísmo de Ikhnathon
A degradação religiosa fez o faraó Amenotep iniciar uma reforma religiosa, enfraquecendo o poder dos sacerdotes, abolindo o culto às diversas divindades e instalando a adoração a Áton, antiga denominação para o sol físico. Representado como deus uno, justo e benévolo, não assumia forma alguma, apenas dos raios solares.
Construiu uma nova capital dedicada ao novo culto: El-Amarna, criando uma religião de monoteísmo restrito. Restaurou o caráter ético da religião egípcia, tornando-se o único adorador do deus, enquanto todos deviam adorar o próprio faraó.
Sem o apoio da massa na manutenção do novo sistema de crenças, os antigos sacerdotes aliaram-se com os sacerdotes de Áton e realizaram o retorno para o antigo culto aos deuses. O novo faraó, Tutankhamen demonstrou devoção a antiga religião politeísta, sendo o seu funeral uma prova de suas relações com o antigo sistema de crenças.
Bibliografia:
— BURNS, Edward McNall. História da Civilização Ocidental. São Paulo: Globo, 2005. 44 ed. Capítulo 2. A civilização egípcia.
— LOON, Hendrik Willem. A história da humanidade. São Paulo: Martins e Fontes, 2004.
— PINSKY, Jaime. As primeiras civilizações. São Paulo: Contexto, 2006. 23 ed.
— ____________ 100 textos de História Antiga. São Paulo: Contexto, 1991, 5 ed.
— BURNS, Edward McNall. História da Civilização Ocidental. São Paulo: Globo, 2005. 44 ed. Capítulo 2. A civilização egípcia.
— LOON, Hendrik Willem. A história da humanidade. São Paulo: Martins e Fontes, 2004.
— PINSKY, Jaime. As primeiras civilizações. São Paulo: Contexto, 2006. 23 ed.
— ____________ 100 textos de História Antiga. São Paulo: Contexto, 1991, 5 ed.
Texto Xerox nº 58


Um comentário:
A História do Egito é muito massa. Já tive esse aula com professor Durval ele é uma fera nesse assunto assim como Andréa, as aulas concerteza vão ser maravilhosas, Andréia é muito inteligente e criativa.
O Egito me surpreendeu muito porque quando estamos na escola estudando nem é possível perceber o quanto essa civilização foi inteligente. A maneira com a qual eles articularam sua religião, economia e ciência me orgulha da capacidade do ser humano e incentiva para a busca do conhecimento.
Parabéns pela iniciativa Bruno!!!
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